Conversa é traição?

traição

Tenho alguns conhecidos que estão em um relacionamento monogâmico mas que não veem problema em ter conversas picantes ou enviar conteúdo erótico para outras mulheres. Algo que me chamou atenção foi em dado momento um deles recusar um convite presencial de encontro sob o pretexto de “não posso, estou namorando”. Meu cérebro bugou por alguns instantes.

Fiquei ali me questionando como todo aquele sexo verbal não podia ser considerado uma traição. Eu já passei pela situação de ler conversas intimas de um ex-namorado e o meu sentimento naquele momento era de perder o chão. Não importa se eles ainda não tinham se beijado, eles tinham a intenção. Ele sonhava com ela enquanto dormia comigo, então claro que aquilo matou um pedaço de mim.

Acredito que muitas mulheres pensam da mesma forma que eu, mas ainda assim resolvi conversar com alguns amigos pra entender como funciona a mente masculina e como as mulheres veem esse tipo de comportamento. Pra minha surpresa os homens consideraram sim traição :O

Então confere as respostas abaixo:

Rodrigo Maroto (GeekVox): É complicado. Não tem como dizer que é traição, pois não aconteceu o ato físico real. Mas querendo ou não, implica numa vontade de fazer isso… ou seja, se as duas pessoas tiverem a oportunidade, irá acontecer a traição, saca? Só pontuo que enquanto não há envolvimento físico e sentimento não sei se classificaria como traição. Claro que não vejo também como algo mais trivial do mundo, sua mina trocando nudes por ai, mas quando falamos de traição, imagino algo forte o suficiente para acabar com o relacionamento. Nesse caso da conversa íntima, se não for algo conversado entre os dois, um papo bastaria para acabar com isso sem acabar com a relação.

 

Migo que não quis se identificar: Sim.. não penso que alguém peça nudes para outra pessoa, ou mande, sem segundas intenções.

Tadashi Kotani (Papo Panini): Embora eu não seja ciumento, no fundo existe aquele sentimento de não querer que isso role enquanto a garota estiver comigo. Caso não exista nada acordado previamente.

Guilherme Cury (Tudo para Homens): Eu vejo como traição sim. Porque mentalmente você está tendo uma relação íntima com outra pessoa.

Livia Alves (Etilicos): Não considero uma traição, depende do “tão picante” é essa conversa, ficaria com muito ciumes e iria tentar entender o porque desse tipo de conversa com outra mulher, qual o interesse que ele nisso tudo, qual o objetivo.

Luciana Levy (Levitando): Considero uma baita traição de confiança, já que temos um relacionamento super transparente onde (eu acho) contamos tudo um para o outro. Fora que conversas picantes geralmente levam a encontros picantes, né? E mais, não tenho problema em ter encontros picantes com outras pessoas JUNTOS, então não entenderia a necessidade de fazer isso escondido de mim.

 

Mariana Brasil (Ops, virei blogueira): Fidelidade pra mim é não desejar outra pessoa (pode achar gostosa, etc, mas uma conversa já é um indicio de que se fosse pessoalmente teria o ato).

Andressa Roeder (SmartGirls): Considero. Traição começa antes do ato.

 

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O Tinder pra quem ama séries

Netfling

 

Não sei vocês, mas gostar de séries é um dos meus filtros na hora de pensar em me relacionar com alguém. Até porque é uma das minhas atividades preferidas, e sexo, e algo que eu gosto de fazer acompanhada, e sexo.

Veja bem, eu posso até aceitar que a pessoa não tenha o mesmo gosto musical que eu (o que é difícil porque eu sou beeem eclética), posso aceitar que ela não goste de ver novela (sim eu gosto, me julgue). Posso aceitar até que ela goste de assistir o jogo no domingo. Mas dificilmente vou conseguir ter afinidade com uma pessoa que não curta séries tanto quanto eu e nem precisa ser as mesmas.

Justamente pra resolver esse problema de afinidade que desenvolveram o Netfling. O aplicativo foi desenvolvido pela Super Powered e tem como objetivo combinar casais de acordo com suas preferências de filmes e séries. Infelizmente o Netfling ainda não tem data pra chegar por aqui, então só nos resta esperar 😉

Espia só:

Não seja aquele cara traumatizado

indo embora

 

Estava lendo um texto do Casal sem Vergonha, sobre homens que usam de “conversinha fiada” para ludibriar as meninas e conseguirem o que querem. Ou só não serem honestos usando do fator emocional, bem leiam o texto deles que vocês vão entender.

Em tempos de conexões superficiais e relacionamentos “fast food”, ouvir alguém te incluindo em alguma coisa que vá durar mais do que aquele encontro é um bálsamo para as feridas. Isso porque sendo bem sincera, quando eu conheço uma pessoa não tenho perspectiva nenhuma de que talvez haja um segundo encontro e não porque eu não queira, mas primeiro porque prefiro não criar expectativas e segundo porque não sou convencida a ponto de me achar tão interessante que entre várias opções a pessoa vá querer perder tempo comigo.

E tem o fator também de que se você opta por transar com o cara, a chance dele não te procurar de novo é de 80% com o restante sendo a chance dele te procurar apenas para sexo. Pessimista eu sei, mas estabelecer uma conexão sincera e com algum nível de profundidade (mesmo que apenas para amizade) é como ganhar na loteria. Poucos tem essa sorte.

Maaaasssss o texto não é pra falar sobre isso, mas sim pra falar sobre o outro lado da moeda. Os homens que chegam logo de cara te acertando com uma voadora do peito.

Estou me referindo aos traumatizados aquele cara que chega dizendo logo de cara, que não quer saber de nada sério, que já passou por muita coisa e talz. Isso é extremamente broxantte!!!

Sabe não é porque você conheceu a pessoa agora que vai querer namorar e casar com ela, mas existe todo um lado da conquista que é a parte mais gostosa quando estamos conhecendo alguém. E é desanimador sair com alguém que não está aberto a ser conquistado, entende? É  uma sensação de que nada do que fizer vai ser bom o bastante então melhor nem ver de novo.

Ninguém gosta do que é previsível, a gente gosta do que é desafiador. Mas não do tipo “não quero namorar, tente”. Se esforçar para  conquistar alguém que não quer ser conquistado pra mim é masoquismo.

Não é fugindo de relacionamentos que resolvemos nossas inseguranças

Todo mundo tem traumas, eu mesma tenho vários que vou precisar trabalhar ao longo dos meus relacionamentos futuros. Mas eu me permito, posso não fazer planos para o futuro (apenas porque como eu disse difícil criar expectativas no mundo de hoje), maaaaasss estou disposta a abrir uma fresta no meu coração pra quem quiser se aventurar nele (uma fresta porque a porta inteira a pessoa tem que conquistar).

O que não me conforma é o fato de os caras acharem que toda mulher, necessariamente,  quer namorar, “encoleirar”, submeter o homem. Sentir medo é normal, compreensível, estar na defensiva é natural tem gente que já foi tão sufocada em relacionamentos passados e já abriu mão de tanta coisa que prefere não se relacionar e manter uma relação superficial por conta disso.

Eu mesma, tem coisas que eu não aceitaria hoje em um novo relacionamento, mas mesmo apesar de tudo que passei avaliando de modo geral não foi de todo ruim, sobretudo porque me preparou para o próximo relacionamento estável e completo que um dia ainda vou pretendo ter. Fui lapidada em questões como ceder, compartilhar, cuidar, amar. E se fundamental é mesmo o amor, a fila do banco, a praia, as festinhas e os amigos dos amigos estão aí para jogo.

UPDATE***

Vou colocar aqui um trecho da minha conversa com o Rafael Armano, a opinião dele pra mim condiz muito com parte do que eu penso, e percebi com isso que às vezes dizer como a pessoa deve agir/ser que padrão seguir, ou mesmo o que fazer é errado, porque o que se aplica a você não necessariamente funciona para o outro. O que deu origem a essa conversa na verdade foi esse texto aqui. Mas achei que ia combinar com o que eu acabei de escrever, porque no fundo o que eu estou dizendo sobre não ser traumatizado não funciona pra todos e não incomoda todas as mulheres então é uma ótima reflexão sobre as fórmulas que criamos para dizer como as coisas devem ser e se vão dar certo.

Rafael Armano:  A gente tem uma ideia implantada de que o amor é o estado padrão. Na verdade ele é a exceção. Encontrar o amor é uma sorte, é fugir do comum, do normal. As pessoas usam dating como estratégia pra achar o próximo príncipe encantado, e aí acham que a pessoa querer sexo, ou não querer compromisso é uma ofensa. Se TODO MUNDO tivesse a mentalidade que eu tô falando, ninguém esperaria nada, e só quando desse MESMO certo é que viraria algo. E enquanto não vira, tudo bem você dar uns beijinhos, fazer um cafuné, só trepar ou só ligar pra conseguir qualquer um desses por uma noite. Isso não é errado, isso é o normal.

Viviane Leone: mas acho que tudo isso deve ser feito da forma mais honesta possível, pra pessoa que não está buscando o mesmo que você não se machucar ou criar expectativas.

Rafael Armano: Se 95% das pessoas se recusa a sair se não for pra casar. Fatalmente vai ter gente fazendo joguinho. 

Viviane LeoneVocê não acha que ao afirmar isso, você está sendo como as pessoas que afirma mentalmente programadas? Não é errado supor que toda mulher está em busca de um relacionamento sério?

Rafael Armano: A regra é não ter regrasEu não disse que toda mulher está atrás disso. Eu conheço um monte que não. Mas é a tendência, a maioria. Na verdade eu falei que PESSOAS na maioria estão assim, nada de mulheres hshahaha. Mas eu não nego que isso se aplique especialmente às mulheres. Não porque é do gênero nem nada, mas porque existe uma pressão social muito grande pra que elas se comportem dessa forma. É uma maneira de castrar a mulher, de tirar dela o direito ao corpo. Porque se o corpo da mulher não é dela, ele é público. É muuuito perverso. Se todo mundo partir do princípio que tá todo mundo vivendo o presente, quem é de namoro fica com quem é de namoro, quem é de trepada fica com quem é de trepada, e quem não é de nada fica jogando videogame. Na pior das hipóteses, é um datezinho que não deu certo. E se todo mundo estiver presente no presente, vai achar vantagem, e não desperdício nisso.

Viviane Leone:   O lance seria não se preocupar com o futuro, não ficar buscando fórmulas certas e curtir o aqui e agora?

Rafael Armano: O lance é o seguinte: vamos assumir que todo mundo tem direito a querer o que quiser. Mas de verdade. E aí todo mundo pode se sentir à vontade pra assumir o que realmente tem vontade e ser sincero com os outros sobre isso.

 

ESTE TERRÍVEL VÍCIO DE QUERER O QUE NÃO SE TEM

divididos

 

Não, meu caro amigo. A mulher do vizinho não é mais bonita do que a sua. Não, minha cara amiga, o marido da colega de trabalho não é mais carinhoso do que o seu. A grande qualidade do parceiro alheio é ser o do outro e não o seu.

Foi por causa dessa chamada que eu resolvi ler o texto do Obvious. “Isso é apenas um fragmento da realidade”, “não leve tão à sério”, são coisas que eu tenho tentado me dizer cada vez que abro o Instagram e vejo aquelas mulheres lindas, felizes e viajando. Aí me pergunto se elas não passam noites em claro pensando nas contas que tem pra pagar, ou se tem algum problema que não contam pra ninguém. Porque na internet é assim, você só mostra o que quer.

Eu posto fotos indo à academia, mas ninguém sabe que no meu íntimo a luta contra a balança é algo que me atinge de uma forma sempre brutal. O texto fala sobre relacionamentos, mas acho que se aplica em outras áreas da vida. 

Já afirma a velha e boa sabedoria popular que a grama do vizinho é sempre mais verde e a galinha mais gorda. O churrasco também cheira melhor e a vida do casal ao lado sempre parece ter um tempero a mais que ressignifica tudo de forma mais alegre e colorida.

Redes sociais são os canais perfeitos para nos sentirmos no fundo do poço. Nas redes tudo mundo é bonito, bem resolvido, legal ( se é que alguém entende mesmo o que é ser legal), faz viagens maravilhosas e se diverte pra valer. Todo mundo elogia os filhos, diz amar o marido/esposa e sorri expansivamente dentro da sua melhor roupa. Todo mundo é honesto, gosta de ler e valoriza beleza interior usando um biquíni minúsculo e fazendo um biquinho erótico.

Realmente, muitas pessoas postam informações verdadeiras e gostam de ler pra valer, são honestas e valorizam beleza interior. Realmente muitas pessoas admiram os filhos e amam o parceiro. Independente da veracidade das postagens, as redes estimulam sentimentos de rivalidade e desejo de ter uma vida melhor a partir dos padrões alheios de felicidade e não a partir dos nossos.

Começamos a desejar cada vez mais a vida do outro. Este traço sempre existiu na raça humana, mas atualmente está potencializado pela globalização e novas tecnologias.

E cada vez mais também cobiçamos o parceiro alheio e desprezamos o nosso. Quando conhecemos alguém na intimidade, entramos em contato com todas as qualidades positivas e negativas da pessoa. Quando convivemos com alguém socialmente, vemos mais o lado positivo pois em festas e passeios, as pessoas tendem a usar máscaras sociais. Nesse caso eu acho o termo máscara social muito pesado, eu sou eu em qualquer lugar que vou. Se não estou bem deixo isso transparecer, mas não vou em um lugar contanto todas as desgraças da vida, porque existe hora e momento pra tudo. 

Outro aspecto que deve ser considerado: defeitos incomodam muito e acabam chamando mais a nossa atenção. Quando vemos no marido da amiga ou na esposa do amigo uma qualidade que o nosso parceiro não tem, nos esquecemos de averiguar que o nosso parceiro tem muitas qualidades positivas que a outra pessoa não tem.

Um marido pode se ressentir porque a mulher do vizinho é mais elegante. Mas muitas vezes esquece de pensar que tal elegância pode ter um custo alto. Por outro lado uma mulher pode ficar chateada porque seu marido não compra flores em datas festivas e o marido da vizinha sim. Mas pode se esquecer de pensar que seu marido é um feminista que demonstra seu carinho de outra forma, como por exemplo, dividindo as tarefas de casa por achar o correto. Entendem o que quero dizer? Alguém casado há séculos com uma mulher loira pode se sentir atraído pelas morenas por representar uma novidade. Mas normalmente se esquece de pensar que homens casados com morenas há muito tempo, podem criar fantasias quentes com loiras.

Quando eu era casada, podia dizer que a minha vida vista sob a ótica das redes sociais era perfeita, que tudo ia de vento em polpa. Ele chegava com flores, me levava pra passear, fazia eu me sentir a mulher mais amada e desejada e expunha isso para quem quisesse ver. Mas em contra partida era obsessivo, agressivo e controlador. Essa parte eu não dividia com ninguém, não por causa de nenhuma “máscara social”, mas porque só dizia respeito a mim pois fazia parte da minha intimidade. Como diz o ditado “roupa suja se lava em casa”.  Mas à vontade de mostrar quando tudo ia bem era genuína, eu sentia orgulho das pequenas coisas que davam certo entre nós e queria que as pessoas vissem e sentissem isso.  Hoje, eu não dependo tanto dessa aprovação social nos meus relacionamentos e acho até que os melhores momentos é melhor guardar pra si mesmo. 

É triste perceber o quanto homens e mulheres se esforçam para agradar e parecerem perfeitos para os parceiros alheios. É triste perceber o quanto algumas pessoas preferem dar atenção aos parceiros dos amigos. É triste perceber como os relacionamentos de longa data começam a perder o brilho por falta de cuidado, de manutenção afetiva. Ninguém vive apaixonado pela mesma pessoa a vida toda. Paixão tem data de validade. Mas nem por isso o relacionamento precisa perder o afeto, a cumplicidade, a vontade de fazer coisas juntos, inclusive sexo de qualidade, criativo, renovável.

A paixão tem data de validade, mas a amizade, a admiração, o carinho tendem a crescer com o tempo e a convivência. Mas para isso acontecer é preciso parar de olhar para a casa ao lado e tentar ver o que há de melhor na sua.

Não, meu caro amigo. A mulher do vizinho não é mais bonita do que a sua. Não, minha cara amiga, o marido da colega de trabalho não é mais carinhoso do que o seu. A grande qualidade do parceiro alheio é ser o do outro e não o seu.

 

Poliamor e a confiança

poliamor

 

Ser poliamorista, não quer dizer ser bissexual. Mas uma pessoa bissexual pode ser adepta da modalidade. Particularmente nunca me imaginei em uma relação onde eu e meu parceiro pudêssemos nos relacionar com outras pessoas abertamente, primeiro porque certamente não saberia lidar com isso, segundo porque na minha visão comprometimento é entrega e entrega significa estar plenamente com o outro. Mas não estou aqui pra falar de mim ok?

Acho que dentro de uma relacionamento aberto, onde existe sinceridade entre ambas as partes e onde ambos estão de acordo, faz-se o que quiser. Pra isso é preciso ser bastante esclarecida e ter muita maturidade pra lidar com as consequências desse estilo de vida. Mas pra quem pensa que poliamor só trata de bacanal, está redondamente enganado(a).

A prática vai muito além do sexo, se trata de conseguir se conectar com mais de uma pessoa e sentir que por mais que exista um sentimento ninguém é dono de ninguém. Em muitas culturas em outros países é possível ter mais de uma esposa (não vamos entrar em questões machistas e falar do porque não pode o contrário).

Conversei com a Lolla Arantes, que é adepta do estilo de vida pra entender melhor sobre o assunto.

Veja o depoimento abaixo.

Eu passei a me considerar poliamorista aos 19 anos depois de descobrir que minha dificuldade a se apegar em apenas uma pessoa tinha nome. Desde bem nova eu estava envolvida com mais de uma pessoa ao mesmo tempo de forma afetiva e isso sempre me trouxe muitos conflitos, muitas criticas. Diferente do que as pessoas pensam o poliamorista não é a pessoa da orgia, não necessariamente você fará sexo com todas as pessoas ao mesmo tempo, as relações podem ser sim separadas. Muito menos é uma relação de traição pois todas as pessoas envolvidas devem estar cientes do que acontece sendo poli ou mono.

Sempre me relacionei com pessoas mono mas nunca fui aberta pra explicar como me sentia principalmente porque não entendia completamente o que se passava comigo. Com meu atual namorado hoje é bem tranquilo, mas no começo ele não entendia muito bem. Acabamos optando por ter um relacionamento aberto assim eu posso exercer meu ‘eu poli’ e ele tbm tem liberdade para ficar com outras pessoas se quiser o que é muito justo! Nós combinamos que se eu me apaixonar por mais alguém essa terceira pessoa teria que aceitá-lo também para podermos viver a relação tranquilamente. A maior dificuldade de me relacionar com alguém mono é o ciúmes pois é um sentimento que não existe em mim e ter que se esquivar disso é muito sofrido as vezes porque eu acho que o poliamor é o amor livre, livre pra tentar, pra experimentar, pra se apaixonar loucamente e depois sentir que passou. A união do poliamorista é puramente no coração, não tem a ver com o físico, com sexo, com aliança. Isso tudo é consequência.

Abaixo outros depoimento de pessoas que não quiseram se identificar.

Anônimo:

Sempre tive facilidade em me relacionar com mais de uma pessoa, estando todas de acordo… foi um processo muito natural desde a adolescência, mas sempre tive relações tanto mono quanto poli. Pra mim, relações poli significam o entendimento de que amor e prazer podem ser maiores quando divididos com confiança.

Na idade adulta, comecei um namoro mono e depois de um tempo passamos pra poli com um acordo, depois fomos abrindo mais aos poucos, ainda estamos juntos e lidamos com isso de forma muito saudável, com bastante diálogo e respeito.

 Anônimo:

Quando minha namorada se envolveu com outra pessoa e eu fiquei feliz. Já conhecia e concordava com poliamor antes disso, mas foi com isso que percebi que poderia funcionar pra mim. Poliamor pra mim significa ter cumplicidade e liberdade. Já, uma vez. A culpa constante e as expectativas irreais foram o que mais me incomodaram.

Esse é o trecho de um texto que minha amiga Lolla me mandou, achei bem interessante por isso resolvi compartilhar:

“Agora eu estou bem. Sozinho, dentro dessa perspectiva monogâmica mundana. Mas vejo que não existem diferenças entre relacionamentos monogâmicos e de poliamor, de amor livre. Amamos as pessoas, nos focamos nela, e essa questão de tempo é o que realmente aproxima tudo. As lembranças, as memórias são o que importam e, o tempo que leva pra criá-las, para se tornarem relevantes a nossa vida, vai da perspectiva de cada um. Memória, logo experiência, logo amadurecimento pessoal. Independente de qual relacionamento, estamos crescendo e melhorando como pessoas. Refinando-nos.”

O diretor José Agripno produziu um documentário sobre o tema, com bastante depoimentos.

Separações não precisam ser traumáticas

despedida

Escrevi esse texto originalmente no SmarGirls logo após a minha separação. Estou reproduzindo ele fazendo algumas mudanças, porque eu não sou a mesma pessoa de quando o escrevi e acho bem válido atualizá-lo de acordo com a pessoa que me tornei.

O que não mudou?

Eu ainda acredito que nem toda separação deve ser traumática, que não devemos carregar pela vida toda o peso de experiências que foram ruins. Claro que, existem dois tipos de traumas, aquele que está intrínseco em nós e que carregamos sem nos dar conta e aquele cujo sabemos as origens. Neste segundo caso, cada vez que dizemos “não confio em ninguém por causa de fulano” estamos apenas reforçando a situação negativa sem analisar ou refletir sobre ela. Estamos apenas negativando sem tentar transformar isso em algo bom.

Lamentar perdas nunca fez parte de quem eu sou ficar triste é algo normal, permanecer assim nem tanto. O mantra ainda é o mesmo: estamos exatamente onde deveríamos estar. Nesse processo eu entendi que antes de estar com qualquer pessoa preciso aprender a estar comigo. Esse é um exercício que deve ser feito não apenas quando estamos solteiros, mas também quando estamos com o outro.

O problema da maioria dos relacionamentos é a dependência que se estabelece logo no início. Com o passar do tempo um não consegue fazer absolutamente nada sem o outro e muitas vezes  acaba se sentindo mal por desejar esse tempo pra si. Não é saudável quando o estar junto torna-se uma obrigação.

Existe: eu, você e nós

Isso mudou…

Confesso que relendo o texto original senti uma certa arrogância, uma prepotência de quem queria a todo custo provar alguma coisa, e de certa forma era exatamente o que eu queria fazer. Mostrar para as pessoas que eu estava ótima, que as mensagens solidárias eram desnecessárias, e eram. Mas ao invés de ser agradecida por ter pessoas que se preocupam eu só conseguia enxergar aquelas que estavam ali por causa da fofoca, pra saber o “bafão” de um casamento que durou apenas 6 meses.

E apesar do pouco tempo foi uma experiência muito intensa. Sabe quando você dorme e no sonho está vivendo uma vida completamente diferente da sua? Eu antecipei alguns anos nos seis meses que passei casada e foi assustador.

Mas quem eu sou hoje não é muito diferente de quem eu sempre fui. Ainda sou a garota que se preocupa com o bem estar do outro, que gosta de mimar e cuidar. Com a diferença de saber exatamente o que eu quero pra mim e de manter meus pés no chão.

Ainda quero sentir aquele friozinho na barriga, ainda quero fazer coisas loucas. Mantendo a espontaneidade e impulsividade que sempre me levaram pra algum lugar, só que sem aquele caráter adolescente e pueril.

Outra coisa que mudou é que antes eu acreditava que começos de relacionamentos eram especialmente ruins. Porque você nunca sabe o que esperar da outra pessoa e reaprender sobre manias, defeitos, qualidades de alguém novo parecia muito desgastante (eu tinha muita preguiça e medo desse processo, porque conhecer os defeitos do outro implica em ele saber dos meus e eu ainda não me sinto à vontade com essa parte, mas hoje não me soa tão assustador).

Hoje eu enxergo começos como uma oportunidade de fazer algo novo e isso é maravilhoso. É a chance de pegar todos os bugs da versão beta e criar uma versão  2.0 melhorada, mais leve e com infinitas possibilidades. Então não fique pensando no que foi, ou poderia ter sido, apenas lembre-se que nós fazemos nosso caminho então dê um propósito a ele.

 

 

 

 

 

 

Ser divorciada

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Bem esse texto eu fiz assim que me separei e publiquei no Smart Girls, mas vou fazer um paralelo nele porque de lá pra cá muita coisa aconteceu na minha vida e a minha visão sobre muitas coisas também mudou.

Tenho 24 anos e já sou divorciada (piadinhas e comparações com o Ross de Friends não são bem vindas ok?). 

Havia saído de um relacionamento de quase três anos com uma pessoa o qual eu tinha amizade, e muita intimidade. Resultado de quem passa tudo isso de anos namorando. Mas havia aquele entrave de personalidades que por mais que exista sentimento não deixa a coisa evoluir como deveria. (Claro que a diferença de personalidade contou bastante, e estar com alguém diferente não quer dizer que vá ser ruim, só não dá certo quando ambos esperam coisas diferentes do futuro). 

Depois de terminar acabei me relacionando com um namorado de infância (que eu nunca beijei na boca porque eu tinha 9 anos) , que parecia ter a mesma personalidade que eu e os mesmos objetivos pro futuro. Com um mês de namoro resolvemos nos casar, em dois meses já estávamos compartilhando uma vida, já tínhamos um apartamento, móveis e estávamos acertando a vida financeira. (Eu tive a maior contribuição nisso, porque quando tomamos a decisão de casar, corri atrás de tudo, por mais que fosse uma decisão rápida eu realmente queria que desse certo e me dediquei de corpo e alma pra isso. E não foi fácil descobrir um temperamento possessivo mascarado por um “mas é porque eu te amo”). 

Foram cinco meses casada e sete no total. Você pode estar se perguntando: que raios passou na sua cabeça menina? 2 meses de namoro e casou? (Olha eu me pergunto isso até hoje viu).

Sim, ignorei todos os avisos de perigo dado por pessoas que tinham experiência de vida e principalmente, queriam o meu bem (como diz meu pai, sou um trator), quando coloco algo na cabeça não escuto ninguém, passo por cima e saio fazendo. (É claro que, na hora eu não medi muito as consequências da decisão na minha vida e principalmente como isso impactava as pessoas ao meu redor: meus amigos, familiares e principalmente meu ex, que por mais que não partilhasse mais de uma vida comigo, levou um choque enorme quando descobriu que eu estava me casando). 

Não sei vocês, mas quando você passa três anos dentro de um relacionamento e você pensa ter encontrado alguém que faz com que se sinta bem, você não quer passar por tudo de novo (o que eu quis dizer aqui é que você não quer que aquela sensação de felicidade termine e ok que casar não é o melhor jeito de prolongá-la). É como se naquele momento eu pensasse que o namoro no fim das contas não era o que determinava ou não o sucesso de um relacionamento (eu realmente quis acreditar nisso, li até histórias de pessoas que se conheceram e casaram no mesmo dia, doce ilusão).

O que eu aprendi com isso?

Não se deve pular etapas! O namoro serve para que você tenha noção de quem é o outro e se pode lidar com os defeitos dessa pessoa. Pois é… ciúmes possessivo não é algo com o qual eu possa lidar. Ver uma pessoa me absorver e me fazer de centro do mundo, não é algo com o qual eu possa lidar…

Veja bem, eu posso lidar com muitas coisas. Lidava com a falta de organização, lidava com a cobrança de me deixar vencer pelo cansaço e muitas vezes ficar jogada no sofá, lidava com um filho de outro casamento. Mas lidar com acusações constantes de estar interessada em outra pessoa é algo com o qual eu não posso lidar. (Eu lidei com muitas coisas que se fosse em um namoro eu não aguentaria. Quebrei minha própria regra de não me relacionar com alguém que tivesse filhos e fui abrindo muitas concessões. Eu aprendi observando meus pais que casamento não é algo fácil e que alguém sempre tem que ceder e eu era essa pessoa, eu quis ser porque se não teria durado bem menos. Quem me conhece sabe da minha falta de paciência e temperamento explosivo, mas eu estava realmente disposta a me transformar e ser o pilar da relação já que eu estava lidando com uma pessoa que tinha um temperamento bem mais difícil que o meu.)

AH, MAS TODA MULHER QUER UM HOMEM QUE VIVA POR ELA!

Não necessariamente, quero alguém que viva apesar de mim, alguém que me veja como complemento não como um todo. Porque pra amar alguém você não tem que enxergar somente ela na sua frente. Um relacionamento onde você precisa se anular para fazer o outro feliz certamente tem algo errado.

Depois de vários episódios e cenas de ciúmes que culminaram no fim do romance, parei pra pensar sobre como teria sido o futuro e não me vi fazendo parte dele.

Se eu mudaria alguma coisa?

Sim e não, isso é algo com o qual eu ainda não consegui entrar em consenso. Por um lado eu não faria tudo isso de novo, casar, me doar, mudar tanto a minha vida em prol de estar com outra pessoa, etc. Por outro, eu não chegaria onde estou e não teria atingido um certo nível de amadurecimento sem viver essa experiência. (Por incrível que pareça apesar do tempo ter passado eu não sei se essa foi uma experiência boa e ruim, porque tem os dois lados e eu analiso todos os dias qual tem pesado mais). 

O QUE AS PESSOAS ACHAM VS PRO QUE EU LIGO:

Algumas pessoas vieram me “aconselhar” ou expor suas opiniões sobre o fim do meu relacionamento (sem eu ter pedido). As pessoas expõem o que pensam como disse uma amiga, segundo suas próprias perspectivas, de acordo com aquilo que elas acreditam que deva ser, sem tentar olhar a minha ótica, as minhas expectativas. Sabe por que eu geralmente evito falar para as pessoas quando estou com problemas? Porque elas nunca vão entender.

Teve gente que veio dizer: “mas todo casal briga, quem não tem uma briguinha?”. Não foi só uma “briguinha”, e eu não terminaria um casamento onde me comprometi a passar o resto da vida, se uma simples “briguinha” fosse me fazer terminar.

POR QUE EU NÃO ESTOU ACABADA E MORRENDO DE CHORAR?

Simples: sou o tipo de pessoa que é egoísta o suficiente pra se amar e pensar somente nos seus sentimentos. Se estou feliz isso me basta, se me sinto bem com as minhas decisões pra mim é o mais importante, porque não adianta nada tentar “segurar” mais alguns meses só pro outro ficar bem enquanto estamos sofrendo por dentro.

O QUE EU PENSO SOBRE CASAMENTO?

Me recuso a fazer o papel de pessoa traumatizada que nunca mais vai amar ou namorar. Mas casar? hum… No more! Meu pai falou que quem sabe daqui uns 20 anos eu não encontre alguém pra casar de novo (ele está mais traumatizado do que eu). Mas francamente farei de tudo para evitar que qualquer futuro relacionamento chegue nesse nível. Pode acontecer? Bem o Roberto Justus tem 7 casamentos então quem sou eu pra afirmar categoricamente né. (Eu não penso nisso em um futuro próximo, e também não penso em namorar. Eu sou uma pessoa muito carinhosa mas isso não quer dizer que eu me apaixone com facilidade. Mesmo quando a pessoa está me conquistando eu tento não demonstrar pra não ficar vulnerável, porque nas raras vezes que eu deixei alguém entrar na minha vida foi decepcionante então isso é algo que eu ainda preciso aprender a lidar). 

O QUE APRENDI COM TUDO ISSO: NÃO CASE! (O conselho ainda continua o mesmo)