Viajando o mundo com baixo custo

viajando pelo mundo

O país está em crise mas ninguém parou de viajar! As pessoas seguem planejando as férias para o exterior, poucos prorrogaram a viagem pela alta do dólar. Mas com a crise algo mudou…

As pessoas não estão indo viajar com o intuito de realizarem compras, o perfil consumista está ficando para segundo plano.  Os perfis, hoje, são de pessoas que estão trocando câmbio para terem experiências, estão trocando dinheiro por conhecimento, por cultura, por ideias.

Uma forma de viajar quase sem custo é através do WWOOF (World-Wide Opportunities on Organic Farms)?  O WWOOF  são oportunidades mundiais em Agricultura Biológica, funciona como uma rede de organizações nacionais que promovem o trabalho de voluntariado em todo o mundo e é sobre isso que vamos falar durante esse texto.

Apesar de existirem organizações nacionais WWOOF em muitos países, existem outros em que as quintas se encontram agrupadas na WWOOF Independents. Todas as organizações reconhecidas na WWOOF mantêm padrões semelhantes e trabalham conjuntamente para promover os ideais de ecologismo e vida saudável.

Os anfitriões oferecem três refeições diárias e em troca o viajante trabalha meio período (entre 4 e 6 horas) durante 5 dias na semana, com os finais de semana livres.

Um estudo divulgado pelo Ministério do Turismo, em parceria com a Fundação Getúlio Vargas  revelou que brasileiros estão mais empenhados a viajar pelo país. De acordo com boletim que mede a intenção de viagem em sete capitais,  o mês de abril registrou a maior procura por destinos nacionais.

Eu conversei com o mochileiro Leandro Ogura, dono das lojas virtuais FOURTY TWO TEES e Camerama (que nasceram por causa de suas viagens ao exterior) pra entender melhor essa experiência e saber como foi viajar para tantos lugares do mundo oferecendo mão de obra e vivenciando culturas diferentes da sua.  Ele conta que ficou sabendo sobre o WWOOF quando pesquisava sobre formas baratas de viajar. “Estava lendo sobre como pegar caronas no Japão e acabei caindo em um link do Wwoof japan. Existe um site do Wwoof para cada país e para ter acesso às informações de contato de cada fazenda é preciso pagar uma taxa anual que varia de acordo com o País”.

Macaco velho na experiência de viajar ele já esteve em vários países como: Japão, EUA, Canadá, Argentina, Bolívia, Peru, Chile, Paraguai, Indonésia, Tailândia, Cambodia, Malásia, Marrocos, França, Espanha e Inglaterra. E ainda fala sobre como escolher o melhor destino. “Vários fatores entram em consideração na escolha do lugar para o qual quero viajar. O fator de maior peso é o cultural. Quando me interesso pela cultura do local, quero visitar. Quando me interesso pelo idioma e quero aprender o idioma, fico com vontade de ir para os lugares que falam a língua”.

Abaixo, um vídeo que ele fez em uma fazenda na Califórnia.

Essa fazenda em particular era um culto religioso, então foi um choque cultural muito grande ficar algumas semanas nessa comunidade. Tudo era feito em grupo e eles não têm Tv ou rádio, então eles acabam criando uma nova realidade lá dentro, uma verdade interna em que todos creem.

Como em qualquer lugar do mundo sendo estrangeiro, turistas podem acabar sofrendo algum tipo de preconceito. E embora Ogura relate que não é comum ele percebeu em alguns lugares a hostilidade velada. “No Marrocos não senti uma aceitação dos locais e alguns olhares eram meio hostis. Mas não sofri nenhuma discriminação explícita. Acho que o mais perto que chegou foi uma vez no Havaí quando um mendigo me perguntou se onde eu era. Falei que era do Brasil e ele duvidou. Expliquei que no Brasil tem muitos descendentes de japonês e ele me disse que japoneses são como baratas, que estão em todos os lugares”.

Leandro abriu mão muitas vezes do conforto pra vivenciar experiências únicas e mais do que apenas uma vontade inerente de conhecer culturas diferentes, um estudo ajuda a entender o porque muitos ainda deixam o conforto de lado. A Hipmunk, uma agência de viagens online, realizou seu estudo anual sobre viajantes da Geração Y. O relatório apurou o comportamento de 1.400 jovens entre 18 e 34 anos que costumam viajar.

A agência revelou que os nascidos a partir de 1980 são mais conscientes do que as gerações anteriores, nascidas nas décadas de 1960 e 1970, em relação ao dinheiro. Jovens, quando vão viajar, preferem abrir mão do conforto para não pagarem preços altos, diferentemente de colegas que são mais estáveis financeiramente. Assim, faz sentido que os millenials aceitem vender seu cabelo para comprar uma passagem de avião.

E claro que passar por tantos lugares impactou a forma como ele percebia as coisas e pessoas. “Crescendo em uma cidade grande e sendo exposto a cultura de massa, agente passa a acreditar que a fórmula da vida é ir pra escola, fazer faculdade, ter um emprego formal, estabilidade financeira e passar a passear depois de aposentado. Percebi que existem outras filosofias de vida e formas de ganhar o pão de cada dia”.

Uma história marcante…

Uma pessoa que me inspirou muito foi o fazendeiro que nos acolheu na Espanha. Ele era um tcheco que fugiu da Alemanha em tempos de guerra, depois estudou medicina no Afeganistão, mas teve que abandonar o curso e fugir novamente por conta da guerra. Então ele não pode praticar medicina e passou a buscar outras formas de ganhar a vida. Sempre de forma independente. Ele percebeu que tapetes exóticos de lugares como Marrocos, Iran e Afeganistão eram baratos em seu local de origem, mas caros em locais frios e ricos como na Alemanha e no norte da Europa. Então ele passou a comprar e vender tapetes. Fez isso por um bom tempo até se encher. E então ele percebeu que o turismo estava crescendo muito e nos anos 70 e 80 muitos hippies europeus queriam conhecer o oriente. Então ele vendeu o veículo dele, comprou um ônibus e passou a levar passageiros de Amsterdam até Goa na Índia. Fazendo o papel de motorista, guia e cozinheiro para os mochileiros. Aí ele fez isso por um bom tempo até se encher já com mais idade e dinheiro acumulado, ele queria um lugar tranquilo onde pudesse criar uma família. E então ele comprou a propriedade nas montanhas da Andalucia, sul da Espanha, perto de um vilarejo chamado Genalguacil. Lá ele se tornou um fazendeiro, em uma propriedade bonita com muitos pés de azeitona (oliveira) e árvores de cortiça. Enfim, ele sempre ganhou o seu pão de forma independente, nunca teve chefe, viajou muito quando jovem por conta do seu trabalho, e foi Livre. Depois de um dia exaustivo carregando merda de cavalo pra fazer adubo, percebendo minha fadiga ele me disse “This is a hard life, but a free one”

Pra conhecer mais das aventuras dele basta acessar o DigiNomade

Abaixo, algumas fotos de lugares por onde ele já passou…

Cambodia. leandro ogura Uncle Sam's Séville 1 Séville. Uncle Sam's 2 Uncle Sam'sSahara Desert).

Ser ou não ser um nômade digital?

nômade digital

Você já pensou em ser um Nômade Digital? Confesso que pra mim a ideia é tanto quanto assustadora. Deixar uma vida estável pra se aventurar em outro país sem saber como fazer me deixa bastante apreensiva. Mas no fim das contas isso pode ser uma coisa bem bacana.

Mas e se eu não gostar? E se eu não me adaptar? Como vou me sustentar? Segundo o psicanalista Jorge Forbes, presidente do Instituto da Psicanálise Lacaniana e Diretor da Clínica de psicanálise do Centro do Genoma Humano da Universidade de São Paulo (Usp), o ser humano é essencialmente desadaptado ao mundo. Não existe um único habitat que lhe seja absolutamente natural. Se existisse, só poderíamos viver em uma determinada composição.

Existem várias formas de se manter quando você decide morar fora (mas claro que isso varia da sua profissão e objetivo). Você pode produzir conteúdo, gerenciar sites, vender produtos ou fazer o que você já faz de forma remota. Esse estilo de vida não é novidade, o americano Tim Ferris, que ficou milionário por causa do best seller “The 4-Hour Workweek”. Neste livro mostra uma fórmula bem simples, de que todo mundo pode criar um negócio online e trabalhando apenas 4 horas por semana.

É claro que o discurso ganhou força e no mercado americano surgiram vários negócios online dedicados somente à motivar pessoas.  Porque a filosofia em si é muito linda, mas na prática mesmo eles não ensinam absolutamente nada.

A Gabriela Torrezani que eu já entrevistei pra falar de um outro assunto no blog Smart Girls, e sua esposa Fabia Fuzeti são editoras do blog Estrangeira. Elas moram e trabalham em Barcelona e falaram sobre como foi e está sendo essa experiência  de ser nômade digital no vídeo abaixo 😉